quinta-feira, 16 de setembro de 2010

RELAÇÕES AMOROSAS CONTURBADAS (MISÓGENO... vc sabe o q é isso?) EU SEI!!!!



Em seu livro “Homens que odeiam suas mulheres; mulheres que os amam”, cujo subtítulo é “quando amar é sofrer e você não sabe porquê”, Susan Forward e Joan Torres, escolhem usar, para descrever tal tipo de homem, a palavra misógino. Misógino é uma palavra grega utilizada como referência a quem odeia mulheres: miso (odiar) e gyne (mulher).


Ao primeiro contato com um misógino, em geral, ele é considerado um gentleman. Ele é o homem que conquista a mulher de uma forma deliciosamente amorosa e sedutora e passa a ser por ela descrito através de uma farta lista de superlativos. Ele é tão intensamente maravilhoso que fica impossível para a mulher atribuir a ele qualquer responsabilidade dos problemas da relação quando estes começam a acontecer.
O contrato relacional velado se define no início do relacionamento quando o homem vai, aos poucos, verificando até onde pode ir com o seu estilo controlador e manipulador. À medida que a mulher evita confrontá-lo tentando ser boa para preservar a relação, ela está estabelecendo um tópico contratual que configura o contexto para a atuação do misógino, ao tempo em que ela vai enfraquecendo. Como diz Susan Foward: “ela contrata amor e ele controle”.


Esse controle se evidencia nas armas abusivas em que as palavras se tornam, através das quais as críticas e ataques são feitos, até alcançar o controle da sexualidade e o controle financeiro. Mesmo que a mulher tente agradá-lo, tudo que ela faz está errado e ele a convence de que ela é culpada.


Quando as explosões repentinas do homem começam a acontecer, mais elas são sentidas como ameaças veladas pela mulher que fica perplexa e cada vez confusa com o que dá errado. Ela passa a “pisar em ovos”, medindo as palavras, para falar com ele. A forma sutil como ele a desqualifica impede que ela possa perceber que é isso que mina a sua auto estima. Ela se torna irreconhecível, principalmente se antes era uma mulher independente financeira e emocionalmente, uma vez que definha.


Os argumentos utilizados pelo homem parecem tão lógicos e tão cheios de interesse pelo bem da relação que, a mulher vai, cada vez mais afundando no seu pântano emocional. Tudo que ele quer é que ela demonstre seu amor por ele, sendo compreensiva e conhecendo-o tão bem que seja capaz de atender suas necessidades, sem nunca se aborrecer com ele. Com o tempo, a relação parece uma gangorra onde de um lado ele estoura e do outro se arrepende, pede desculpas e se torna o homem maravilhoso do início do relacionamento.


Apesar da descrição devastadora do misógino, ele não tem consciência do seu funcionamento e sequer se dá conta da dor do outro. A construção de tal dinâmica pessoal pode ser entendida a partir da sua história, na família de origem, quando vivenciou sofrimento psicológico o qual não poderia evitar.


O misógino é filho de uma relação conturbada onde aprendeu, observando seus pais, que a única maneira de controlar a mulher é oprimindo-a. Ao lado disso, ele pode ter sentido que a sua mãe não poderia existir sem ele, já que seu pai a maltratava; ou ainda, ele pode ter tido uma mãe que o oprimiu ou rejeitou, ao lado de um pai passivo.


Qualquer que tenha sido a sua história, o misógino está na fase adulta “atuando” a sua dor de “criança” ferida, buscando desesperadamente ser amado ainda que de uma forma equivocada.


No caso da mulher que escolhe formar uma relação com um misógino é possível que ela tenha sido infantilizada pela sua família de origem e busque no seu parceiro o apoio, suporte e amor que não recebeu do seu pai, ou talvez ela teve uma mãe que desqualificava o pai; ela pode também ter vindo de uma família tão caótica que desde cedo ela aprendeu que toda relação é problemática e que ela como mulher não tem chance.


Ainda que o misógino seja visto como algoz e a mulher como vitima, esta também contribui para que tal padrão relacional se implemente e perdure. A mulher instiga o misógino a atuar na medida que ela não estabelece limites claros, diferenciando-se dele e ocupando seu próprio espaço na vida e na relação.


O homem e a mulher nessa relação estão interagindo dentro de seus próprios papéis; da mesma forma que um círculo não tem começo nem fim, a relação se desenvolve sem que se possa indicar um culpado. Um “precisa” do outro para continuar com o padrão, mas para sair dele um dos dois precisa funcionar de uma forma nova.
Uma mulher que sofre numa relação como essa pode: (1) manter-se submissa para preservar seu homem, (2) separar-se, ou (3) construir uma nova relação com o mesmo homem.


Aquelas que escolhem a terceira opção terão que resgatar sua auto estima, assumir o seu lugar no mundo e na relação, estabelecer limites claros e ser firme ao se posicionar diante do seu parceiro. Ela provavelmente precisará de suporte terapêutico até que se tenha fortalecido. É possível que, à medida que ela conquiste seu objetivo, o seu misógino desista do lugar de algoz para ficar ao seu lado ou desista da relação. Se ela sente que o ama, precisará amar a si mesma também para ter coragem de correr o risco de “perdê-lo”.


De qualquer forma dificilmente um misógino busca terapia e, se assim o faz, tão logo se fortalece interrompe o seu processo. Parece que o sofrimento do seu mundo interno é tamanho que ele não suporta ter que contactá-lo através da análise da sua dinâmica e efeito do seu comportamento no outro; para tanto ele teria que admitir que é co-construtor das dificuldades da sua relação e que é, na verdade, um homem sedento de amor. Ele teria que admitir que é o único responsável pelo seu auto preenchimento,
Se você, ao terminar de ler esse material, acredita que pode estar se relacionando com um misógino, responda o questionário a seguir. Se suas dúvidas se confirmarem busque ajuda terapêutica, pois, sozinha fica pesado demais para você dar conta de tudo que precisará fazer para cuidar de si mesma.






TEXTO EXTRAÍDO DO SITE PORTAL MULHER


http://www.portalmulher.sdv.pt/news.asp?id=4






2a parte: TEXTO EXTRAIDO DO SITE www.palavrademulher.com.br






A brutalidade, a crueldade ao falar, não começa de uma hora para a outra em um relacionamento. Durante o período do namoro, alguns homens podem demonstrar certos sinais que poderão desenvolver uma possível brutalidade verbal futuramente. Mesmo não sendo físicas, este tipo de agressão também dói. Esses homens são denominados de misóginos, apresentam ódio às mulheres.


O misógino, além do sentimento de ódio que alimenta, não sente nenhum arrependimento após o descontrole agressivo com a companheira. Tudo o que ele quer é o controle da situação. Em muitos casos, após uma agressão verbal, o homem quer fazer sexo como se nada houvesse acontecido.


A pessoa não começa a ser misógino na vida adulta. Ela desenvolve esse tipo de agressão na adolescência. Quando chega a fase adulta consegue parceiras facilmente, pois é muito sedutor. O misógino demonstra amar demais, tornando esse amor a grande isca para a mulher. Da mesma forma que ele ama, desqualifica, deixando a companheira sem saber o que fazer. Algumas mulheres pecam por não saberem colocar limites na relação.


Raramente o misógino procura tratamento, pois a resistência é bastante presente. Quem procura resolver o comportamento desta pessoa é exatamente a parceira dele, que quando se consegue que ela mude, sai desta relação. Caso contrário, irá permanecer neste sofrimento durante muito tempo, pois o misógino não sente remorsos e não estará sofrendo com esta situação.


O misógino não ocorre de uma hora para a outra. É possível perceber que logo no início do relacionamento, o controle começa a se estabelecer. O parceiro começa a controlar o que ela pensa, diz, veste e faz. A mulher percebe que isto não é algo saudável e consegue resolver conversando com o parceiro ou procurando terapia para casais.


É importante que a mulher resolva a situação com o marido para que ele possa modificar dentro de si, pois isso é muito interno. O problema também pode abalar os filhos, que na maioria das vezes ficam do lado do pai. Ele consegue convencer os filhos que a mãe é a culpada. É ela que não aceita, que não escuta, que não colabora.


É muito difícil um relacionamento assim. Na verdade, todo relacionamento é difícil. Não podemos acreditar na velha história de que viveram felizes para sempre. Nós sempre tivemos dificuldades nos relacionamentos e podemos trabalhar todos eles. Mesmo o relacionamento com um misógino pode ser trabalhado. Ele pode ser tratado e a relação pode ser muito boa e prazerosa.


O importante é não deixar passar os primeiros sinais. Esses são os sinais que realmente você precisa colocar limites. Colocar limites não é mandar no parceiro. Colocar limites é dizer eu não aceito isso. É dizer que não admite esse tipo de tratamento. Você pode e tem direito de fazer isto.


Algumas mulheres, talvez acostumadas com a própria religião, aprenderam que não podem dizer não. Que elas não podem dizer para o parceiro o que realmente querem e que devem ser submissas sempre. Isso é um grande erro e esta na hora das mulheres abrirem os olhos.


Rafaela Couto - psicanalista e sexóloga
Porto Alegre, 24.05.2005.

3 comentários:

  1. Eu também sei e muito bem o que é um misógino e fiquei sabendo o significado desta palavra quando li o livro “Homens que odeiam suas mulheres e as mulheres que os amam”, indicado por uma cunhada, irmã dele, que sofria do mesmo mal. Penei anos e anos até me conscientizar de que deveria mudar de atitude, já que fui criada para obedecer o marido.
    Como sugerido no livro, escrevia tudo o que deveria fazer, como falar, como agir. Ele me traía, todos sabiam, até que fui mudando o modo de tratá-lo e me impondo. Não queria perdê-lo, hoje acho que por causa dos filhos. Ele não tinha deixado que eu entrasse numa faculdade, dizia que lá era um antro, então não tinha como procurar um trabalho para sustentar os filhos. Eu não me dava valor, pq hoje, pensando diferente, sei que com minhas habilidades poderia ter sido alguém na vida. O ciúme dele era patológico e foi o que mais me fez sofrer.

    Bem, vou parar por aqui. Minha vida daria um livro. Hoje sou feliz, ele mudou, mas não antes de sofrer um infarto e colocar duas mamárias e uma safena no coração. Viu a morte de perto e, mesmo não dizendo nada, sei que se arrependeu de ter me feito passar por tudo o que passei. Me enche de carinho e faz minhas vontades.

    Mesmo estando feliz agora, aconselho a quem ler este depoimento, que não espere o tempo que esperei para ser feliz.

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  2. agora percebi que meu namorado é um misogino

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  3. Excelente artigo! Muitos parabéns!
    Podia ter sido eu a escreve-lo...pois vivi todo este pesadêlo.Hoje ainda estou a reconstruir-me e játenho 52 anos. Divorciei-me,passei muitas carências...mas valeu!
    Obrigada, pois ao ler este artigo me senti compreendida e por isso foi e é uma grande ajuda.

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